Ao longo dos anos vem se tornando nítida a evolução e revolução feminina em diversos aspectos da vida. A busca incansável por igualdade entre gêneros no âmbito profissional impulsiona um número cada vez maior de mulheres a deixar a maternidade em segundo plano, priorizando experiências no mundo exterior antes de realizar seu sonho de ser mãe.

Estudos apontam que nos EUA, em 2017, a taxa de natalidade foi a mais baixa em 30 anos mas, mesmo assim, cresceu entre mulheres com mais de 40 anos. O mesmo aconteceu aqui no Brasil, onde números apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que cresceu em 50% o número de mulheres que deram à luz entre os 40 e 44 anos de 1998 a 2017, enquanto o número de bebês de mães entre 20 e 29 anos caiu 15 % no mesmo período.

Com as mudanças de comportamento das mulheres modernas e o aumento da longevidade, é natural que a sensação seja de aproveitar sua independência. Há cerca de 30 anos a mulher se deparava com uma realidade completamente diferente, eram educadas para casar e atingir os 40 anos era assinar sua carta de velhice. Nos dias atuais, 40 anos ainda é uma idade considerada como mulher jovem.

Porém, nem tudo são flores. Não podemos deixar de orientar essas mulheres que engravidar naturalmente nessa idade pode não ser tão simples assim. A mulher, quando nasce, apresenta uma quantidade de óvulos pré-determinada, que ao longo dos anos vai sendo consumida. Ela perde em média 1.000 óvulos por mês desde o início da menstruação e estes óvulos não são repostos, uma vê, que não fabrica mais. Então, mesmo que a mulher tenha uma vida saudável, não fume ou não beba, ela não evitará a diminuição da reserva ovariana.

Após os 35 anos a quantidade de óvulos disponível para fecundação reduz significativamente, assim como a sua qualidade. Depois dos 40 anos cerca de 60% das mulheres vão precisar de alguma ajuda para engravidar e não há nenhum medicamento ou tratamento cirúrgico que auxilie após essa idade a concepção de forma natural. Por isso é tão importante que ginecologistas orientem suas pacientes a congelarem seus óvulos após os 35 anos, se essas mulheres demonstrarem desejo de engravidar.

É importante a mulher estar ciente dos riscos de uma gestação tardia, tanto para a mãe como para o bebê. Dentre as complicações que ocorrem com maior frequência nas gestações são: gestação ectópica, aborto espontâneo, placenta prévia, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e parto cesárea. O recém nascido pode evoluir com baixo peso ao nascer, risco de parto prematuro, alterações genéticas, como trissomias (número irregular de cromossomos, o que acarreta as síndromes) e congênitos, como malformações, principalmente as cardíacas. Assim, o pré natal em mulheres com idade avançada deve ser um pré natal de alto risco, minucioso, com mais visitas ao médico e com cuidados extras.

Mas calma, se você tem um estilo de vida saudável, não apresenta comorbidades como diabetes e hipertensão, as chances da sua gestação correr sem nenhuma intercorrência são muito grandes, sem contar que o seu grau de maturidade após os 40 anos possibilita uma estabilidade emocional e profissional melhor para aproveitar a maternidade de sua forma mais plena.

Procure sempre seu ginecologista de confiança para conversar sobre o assunto e esclarecer todas suas dúvidas. 


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